CRESCE O NÚMERO DE CASOS DE CATAPORA EM MINAS:

00:02 - 27/AGO: Durante o inverno, é comum encontrar pessoas com tosse, gripadas ou resfriadas. Também aparecem, nesta época, a bronquite e a sinusite. Contudo, nos últimos anos, o que tem chamado a atenção dos médicos é alta incidência da varicela, também conhecida como catapora.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), até o momento, foram notificados mais de 8 mil novos casos da doença somente neste ano. A enfermidade já matou seis pessoas em todo o Estado neste ano, sendo que a maioria eram crianças de até 9 anos.

A maior concentração de notificações nos postos de sáude começou mais cedo em 2013, favorecida pelo tempo seco e pelas baixas temperaturas em Minas desde o mês de maio. Tradicionalmente, os meses de setembro e outubro registram o maior número de casos. A transmissão ocorre, principalmente, por meio do contato com pacientes, com lesões cutâneas ou direto pelo ar.

De acordo com a SES, o pico da catapora no Estado aconteceu em 2010, quando foram registrados 57.198 casos. Nos dois anos seguintes, o número caiu, mas continua alarmante.

Na avaliação da diretora do Hospital Infantil João Paulo II, a pediatra Helena Francisca Valadares Maciel, foi perceptível o aumento dos casos de varicela em julho de 2013. “A catapora aumentou muito, principalmente pela secura do ar e pelo frio, que permitem uma maior dispersão do vírus”, explicou.

Segundo ela, o padrão de atendimentos de catapora durante o inverno no João Paulo II fica entre 50 e 80 crianças. Porém, na estação deste ano, já foram realizados 136 atendimentos.

Antecipação

Para Andrea Lucchesi de Carvalho, infectologista pediátrica do Centro de Referência de Doenças Infecto Contagiosas do Hospital Orestes Diniz, em 2013 o aparecimento da catapora começou mais cedo. Como mostram os números da SES, em maio deste ano foram 1.413 casos, contra 1.149 no mesmo mês de 2012 e 728 em 2011. “É uma doença transmitida pela via respiratória e pela lesão da pele, que é a bolinha de água. O contato e as gotículas da respiração transmitem o vírus”, detalhou.

Segundo os médicos, os adultos são os que mais sofrem com a doença. A estudante Bárbara de Jesus, 21, integra as estatísticas do ano passado. Contaminada com a catapora já na fase adulta, ela acabou ficando em casa por duas semanas. “Meu irmão tinha tido, e eu que cuidei dele. Uma semana depois, apareceu uma bolinha na minha mão e logo se espalhou”, contou.

Ela teve febre alta e dificuldades para comer. O banho constante a ajudou a se curar da doença.


Causas de agravamento
 

A Coordenadora Estadual de Doenças e Agravos Transmissíveis da SES-MG, Janaina Fonseca Almeida, explica que as principais causas de óbito são o agravamento das infecções na pele. Pacientes acometidos por pneumonia secundária, pessoas com algum tipo de imunodeficiência grave (portadoras de HIV ou com leucemia), gestantes e adultos que também nunca tiveram a doença fazem parte desse grupo de risco.

"Nessa época do ano, é preciso aumentar a vigilância epidemiológica. A partir de setembro, o Sistema Único de Saúde (SUS) incluirá a vacina Triviral, que protege contra a catapora, sarampo, caxumba e rubéola no calendário básico. Ela será oferecida exclusivamente para crianças menores de 2 anos", afirma.

 

Causada pelo vírus varicela-zoster, a doença manifesta-se basicamente como erupções rosadas na pele e coceira generalizadas por todo o corpo. A catapora pode ser acompanhada de febre baixa (entre 37,5° e 39,5°) e também é comum surgir dor de cabeça, mal-estar, falta de apetite e cansaço. "Estudos apontam que cerca de 80% da população brasileira já teve varicela.

Uma pessoa infectada pode contaminar outras desde dois dias antes das erupções aparecerem até cinco dias depois do surgimento da última lesão. Por isso, o ideal é que as mães só levem seus filhos à escola ou à creche uma semana depois das feridas cicatrizarem", alerta a pediatra Andrea Lucchesi de Carvalho.

 

"O sol deve ser evitado durante todo o período de cicatrização. Para que não fiquem marcas, as bolhas não devem ser retiradas. Elas irão se arrebentar sozinhas e formar uma crosta. Manter os cuidados básicos de higiene, especialmente manter as unhas bem aparadas e limpas, impede a contaminação das feridas. Infelizmente ainda não existe remédio para coceira, mas antialérgicos podem ajudar a amenizá-la.

É importante lembrar que a vacina não resolve nada se a pessoa já tiver infectada, mas a imunidade que ela proporcionada geralmente é permanente", explica a médica.

 

Fernanda Veiga e Guilherme Ávila

O Tempo Online